11/07/2007

"O Cruzeirinho do Mestre" a capella

Luiz Mendes, Mestre-Conselheiro do CEFLI

A expressão a cappella é de origem italiana, como a maioria dos termos musicais. Inicialmente, a cappella significava o estilo de música sacra cantado nas capelas da Europa Antiga, onde era proibida a entrada de instrumentos musicais. Contudo, a cappella literalmente traduz-se por "no estilo de capela" - o que não significa canto sem acompanhamento -, refere-se à música coral sem acompanhamento instrumental "que forme uma unidade própria". Sob essa ótica, instrumentos podem ser utilizados para dobrar partes vocais, tal como, se um baixo elétrico é utilizado para dobrar o baixo vocal com o objetivo de dar peso a essa linha melódica, a peça ainda é considerada a cappella. Apesar disso, para a maioria das pessoas no mundo, o termo música a cappella significa música criada com nada mais do que a voz humana. (leia mais a respeito).

Esta gravação a capella dos chamados "Hinos Novos do Santo Cruzeiro" ou "Cruzeirinho do Mestre", foi realizada com o Padrinho Luiz Mendes, então presidente do CICLU, no ano de 1989, como uma encomenda que eu me encarreguei de levar pessoalmente ao Padrinho Sebastião Mota. Como funcionário do Museu da Borracha, da Fundação Cultural do Acre, eu era na época responsável pela documentação da Cultura da Ayahuasca, além de secretário-fundador do CEFLUWCS - "Centro Eclético da Fluente Luz Universal Wilson Carneiro de Souza". Nessa condição dei início a uma aproximação entre o Cefluris e o CICLU, que começou com garrafas de Daime intercambiadas entre feitios de um centro e outro de que eu participava, e através da retomada de contato entre famílias antes reunidas numa mesma irmandade, chegou até a concretização do festejo do Centenário do Mestre Irineu em dezembro de 1992. A gravação do Cruzeirinho se inseria nesse contexto de resgate cultural, e assim foi concluída com o registro do hino 132 do hinário de Luiz Mendes, "Chamamento", que foi escutado na fita cassete que entreguei ao Padrinho Sebastião no encontro que tive com ele no Seringal Anajás, em Boca do Acre, em 1989 , poucas semanas antes dele ser removido para tratamento médico na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, entreguei dois presentes para ele: um hino ofertado pelo irmão Jarino, e outro de minha lavra, os quais devem compor o final do caderno de hinos presenteados ao "velho Mota". Deixei o Anajás com a incumbência de gravar o hinário do Tetéo para a Madrinha Rita, e estava no CICLU na noite de 19 para 20 de janeiro de 1990 cumprindo essa tarefa (Luiz Mendes fez essa gravação em especial sem bailado nem maracá, para servir melhor ao estudo da irmandade do Mapiá) quando recebemos a triste notícia do falecimento do Padrinho Sebastião.

Sobre os hinos do "Cruzeirinho", vale a pena recordar o depoimento de Jairo Carioca a respeito:

No final da década de 60 Mestre Irineu recebia seus últimos hinos, que claramente anunciavam o fim de sua trajetória nos planos terrestres. Conhecido como Hinos Novos, é uma das fases de maior luz no intercâmbio de comunicação entre o Mestre Irineu e a Divindade Suprema. Suas melodias, letras e mensagens resumem a grande árvore genealógica de ensinamentos, formadas pelos hinários pioneiros da missão. "O Mestre recebeu os hinos derradeiros direto, um atrás do outro", afirma dona Percília Matos.

É neste período também que o líder espiritual intensificou os conselhos, os ensinamentos e palestras que visavam preparar seu grupo para sua ausência. Um dia, Mestre Irineu surpreendeu a Equipe da Mata, que era liderada por Francisco Grangeiro, fazendo uma pergunta para ele, João Rodrigues Facundes e seu irmão Antônio Facundes: "Vocês ouvem cantar aí Flor das Águas, mas para vocês, quem é Flor das Águas?, perguntou o Mestre", conta Júlio Carioca.

"Compadre Chico respondeu para ele que era o Daime, a mesma resposta que deu o compadre Nica e o compadre Cancão (como são conhecidos os irmãos João Rodrigues e Antônio Facundes). Ele então deu um prazo de dez dias para eles retornarem com aquela resposta, e disse: Júlio, Flor das Águas é o oceano, vocês cantam aí:

"Flor das Águas
Da onde vem para onde vai
Vou fazer minha limpeza
No coração está meu pai

A morada do meu pai
É no coração do mundo
Aonde existe todo amor
E tem um segredo profundo

Este segredo profundo
Está em toda humanidade
Se todos se conhecerem
Aqui dentro da verdade"

Esse segredo, Júlio, continuava o Mestre - é o conhecimento de todos que estão comigo. Mas é se todos se conhecerem aqui dentro. Mas ninguém presta atenção, preferem falar da vida uns dos outros. Mas eu conheço os meus e no meu trabalho não perco nenhum", testemunha Júlio Carioca.

Para baixar essa gravação histórica de Luiz Mendes à frente do CICLU, extraia o download clicando em:

Um comentário:

Roberto disse...

O link está quebrado, poderiam refazê-lo. Ou, alguém teria outra opção de download? Obrigado. Paz!